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Mostrando postagens de julho, 2026

FATALISMO

  No saguão do aeroporto, espero ser chamado  para a minha metamorfose: Vou me transformar numa pulga efêmera e me acomodar por baixo  das penas metálicas  de um pássaro gigantesco.   Toda vez em que entro num avião,  meu lado fatalista imagina que pode ser  o último voo de minha vida. Pode ter chegado a minha hora... Mesmo que não tenha... E se for a hora do piloto ou do motor? Se um dos dois tiver um ataque cardíaco  e o pássaro metálico  despencar céu abaixo, não tem jeito: todo mundo vai de carona para o Hades... Inclusive eu...   Mas não importa, minha Amada,  não importa... Se esse avião cair, ou o próximo ou qualquer outro futuro,  nos instantes finais, quando passar um filme da minha vida, você será a protagonista do último capítulo... E seu nome certamente  Estará no lugar da palavra "FIM".

CANÇÃO DO GIRASSOL

   Quem sou eu, tão perdido pelo mundo? Acho que sou um girassol-poeta, que te olha tanto, em busca da Existência... Não tenho vida fora da Poesia  e tu és para mim a própria Poesia!   Quando a noite desponta, eu, girassol, Deixo cair sementes pelo chão... Eu penso em Ti, meu Sol Inspirador... Talvez eu deva descansar um pouco, visto que a Noite oculta a tua face... Talvez agora eu deva me virar na direção da sombra e perscrutar se há rastros de poesia noutras coisas... Talvez eu busque inspiração nas sombras, ache poesia em meio ao musgo e ao líquen...   Mesmo que eu vire, Amada, à contraluz, busque Poesia noutras direções,  uma coisa é imutável nesta vida: Sempre virei ao ponto de partida... Não existe outro Sol, além de ti...!

CONFISSÃO

   Um dia eu me perguntei qual é a palavra mais bela e mais poética da língua portuguesa... Pensei em perguntar ao Google ou a outra Inteligência Artificial...   Mas antes que eu fizesse o comando, meu coração disparou e senti teu nome adoçando meus lábios...   Este é o primeiro poema em que quase digo o teu nome...   Sim, ainda falta coragem e mesmo com o coração disparando, pulsando mais forte, digo e repito teu nome, escandindo a pureza de cada sílaba, mas sem transcrever aqui...   Teu nome é a palavra mais bela e mais doce  e mais poética da língua portuguesa...   Amo dizê-lo em voz alta... Amo sussurrá-lo no pensamento...   Amo a beleza e a doçura do teu nome, assim como eu amo a dona do nome...   Teu nome é a minha oração  E já fiquei viciado em recitá-lo todos os dias da minha vida...   Assim é fácil escrever meus versos... Pois tu desprendes tanta Poesia, que eu pego, Amada, um pouco para mim... ...

A VIAGEM

  Não tenho medo de voar... É a Vida Que impele o meu destino viajante... Neste momento em que eu escrevo, Amada, Estou na estrada, rumo ao infinito... Um avião me espera no aeroporto E o céu não é tão grande para um sonho... Carrego o mundo dentro da mochila... Mas a Poesia nunca tira férias E viaja ao meu lado pelo mundo...

ANATOMIA DO OLHAR

  Encaro o espelho e noto meu olhar vazio... Vazio de quê? Não sei... - Vazio de mim? - Vazio de Vida?   Sei apenas que esse vazio  é indefinível, indescritível, imensurável, refletindo a falta de algo interior... e eu, por mais que perscrute, continuo sem saber o que é...   No entanto, minha Amada, nos breves mas intensos momentos  em que o meu olhar encontra o teu, ele deixa de ser vazio e fica pleno... pleno de tua Luz... pleno de ti... e, de repente, eu me torno um Lázaro voltando à Vida...

MÃOS DE CANETA

  Eu nasci diferente, uma espécie de Edward Mãos de Tesoura trazendo uma caneta  no lugar da mão direita...   Eu e o Edward somos meio parecidos, pois eu também  não posso tocar teu rosto...   Mas tu e a Poesia fazem  minha vida valer a pena:   Embora eu também seja um Triste, tenho um instante de Felicidade quando te vejo e posso contemplar  teu rosto feito de estrelas...   E aqui, no silêncio do claustro, com minha mão de caneta  eu posso tocar o seu rosto com os poemas que te escrevo...

POEMA DO BOBO

  Muitas vezes eu me iludo, pensando que sou esperto... Mas a verdade se mostra... e me dou conta de que não passo de um grande bobo... Ainda por cima me deixas mais bobo do que já sou: Quando te vejo sorrindo, tão perfeita em teus encantos, minha vontade é ficar parado na tua frente olhando para teu rosto feito um bobo embevecido... Quando tu não estás perto, impedindo-me de olhar, eu não deixo de ser bobo... e bobo fico escrevendo para a Musa derradeira... Só vou deixar de ser bobo e deixar de te escrever, quando a lua despencar do teto da Via Láctea...