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Mostrando postagens de janeiro, 2025

SONETO DE PREPARAÇÃO Nº. 1

A minha hora vai chegar um dia, de modo repentino e alvissareiro... Não sei quando vai ser a travessia, mas desde já espero o gondoleiro... Serei tragado por um nevoeiro...? Serei levado numa ventania...? Ou, simplesmente, no meu travesseiro serei ninado pela Poesia...? Não sei, Senhor, se posso te pedir que seja calma a hora de partir e nada fique sem eu terminar... Não peço a Salvação (pois não mereço), talvez esquecimento é o que te peço... e que minha alma se dissolva no ar... 27.01.2025

DESENCANTO

Tanto sonhei com a Felicidade, que não notei que perseguia o vento... Não percebi... passou a mocidade, e nunca eu alcancei o meu intento...   Perceberá algum leitor atento que não digo nenhuma novidade... No entanto, este poema - tão cinzento - nada mais é que a face da verdade...   Há algo a mais que um fútil ritual, tarefa inútil que se leva a cabo? A vida é apenas um lugar-comum...   É a tentativa tola e irracional de um cão que corre atrás do próprio rabo, sem alcançar jamais lugar algum...

UMBRA MULIERIS

UMBRA MULIERIS Às vezes paro um pouco... (É o mesmo assunto...) e guardo os meus rascunhos na gaveta. Eu sou repetitivo? (Me pergunto...) Minha missão não estará completa?   A areia vai descendo na ampulheta e nem percebo que também vou junto... Talvez o lápis seja uma muleta sustendo um devaneio que é defunto...   Mas não tem jeito... sigo em meu mister... Há nos meus versos sombras de mulher: Teu nome é a minha permanente prece...   Jamais me canso deste ritual: - Tu és a personagem principal das narrativas que o meu sonho tece! (24.01.2025 )