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Mostrando postagens de agosto, 2025

SONETO DE CONTEMPLAÇÃO N. 6

SONETO DE CONTEMPLAÇÃO N. 6 Eu tenho a tua foto em minha tela e contemplo teu rosto todo dia, minha dose diária de poesia, microssegundo que a ilusão anela... Aceito a Vida, sem melancolia... E em minha realidade paralela,  eu não percebo o Tempo na janela, tão apressado e cheio de energia...! A Vida e o Tempo vão "fechar a conta", mas o apagar da luz não me amedronta... Vai só a "casca" no último batel... Por tua causa, ficarei aqui: Vou me esconder nos versos que escrevi, para te olhar das margens do papel... 30.08.2025

A POESIA

A POESIA Eu peguei a “doença” da Poesia... Não é fatal, embora seja crônica... Não me deixa dormir, é quase irônica... Quanto mais combatida, mais se amplia...   Ela é “de lua”: Ou cala e fica afônica... Ou, de repente, fala todo dia... Ora me embala e oferta calmaria... Ora vem abalar, placa tectônica...   Mesmo que seja meio bipolar, ela não deixa de me consolar... E eu não a troco por dinheiro algum!   Enquanto a Vida me tritura os ossos, a Poesia colhe os meus destroços... e cola meus pedaços um por um...!

MEU PAI

MEU PAI   Eu tive um privilégio sem igual: Meu pai era uma espécie de profeta… Oráculo com alma de poeta… Meu guia e conselheiro magistral…   Nunca alterou a voz - firme e discreta - e em tudo se mostrou essencial… Ainda é para mim o meu fanal… Ainda faz a minha estrada reta…   Ao lado dele, eu sempre fui menino... Absorvendo, feliz, o seu ensino, assim eu fui me construindo gente...   No entanto um dia ele se foi no vento... ele voou no sopro de um momento... e eu fiquei velho... repentinamente… (07.03.2025)

TEMA E VARIAÇÕES

  I   Escrevo estes versos... um tanto sem jeito... Falar do que sinto virou ritual... (Me canso demais... o meu canto imperfeito não tem novidades... é um velho jogral...)   Eu penso em calar minha voz sem proveito... Guardar minha lira (afinada... banal...) e pôr meu fantasma pra fora do peito... (Será que é possível parar, afinal?)   Convivo com rugas... sou feito de cãs... Meu corpo cansado pressente a descida... Somente as sinapses são boas e sãs...   Mas sigo...! Eu escrevo com certa insistência, até concluir o poema da vida, fechando-se o livro de minha existência...   II   Zumbindo insistente no meio do breu, um verso esvoaça... me exige um poema... A luz logo ligo e resolvo o problema... Te escrevo de novo... meu verso ascendeu...   Tu és a rainha de um vate plebeu... Cantar-te em meus versos jamais é problema... (Repito... e repito... mas gosto do tema: São tantos os versos que a pena escreveu...!)   O tempo devasta meu corpo cansad...

CALMARIA

CALMARIA Na vida o melhor é fruído sem pressa... Mirar o crepúsculo à beira do mar... Ninar a criança bem antes que cresça... Ouvir calmamente um prelúdio de Bach... Nem sempre o fazemos... a vida não cessa... Nem vemos o tempo correr sem parar... Aos poucos murchamos... o inverno começa... E a velha ceifeira não tarda a chegar... Mas não tenho pressa ao pensar em você... O amor é um romance que aos poucos se lê... (Eu leio sozinho... mas como parar...?) E como se o Tempo sustasse os ponteiros, deixando de lado os impulsos ligeiros, você é mulher pra se amar devagar... 09.08.2025