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SERENATA Nº. 2

Tenho dentro de mim um regional... Um verdadeiro grupo de chorões... (Ah, se eu tivesse vários corações...!) Cada poema é um íntimo sarau... Sou um boêmio no mais alto grau e toco para a Musa meus violões... pandeiros... flautas... minhas emoções... (Imerso em solidão... mas não faz mal...) Aceito a vida... e faço esta seresta, pois meu cantar é tudo o que me resta... (A Poesia me consola um pouco...) Sigo cantando com perseverança, pois alma de poeta não se cansa... e cantarei... até que eu fique rouco...! [04.03.2025]

SERENATA Nº. 1

O que estarás fazendo neste instante...? Vendo um filme...? Fazendo natação...? Andando com teus cães, exuberante...? No teu sofá, ouvindo uma canção...? Tantas coisas suponho, delirante... E eu, mescla de poeta e de ermitão, te escrevo este poema concertante, meus versos que jamais te alcançarão... Mas eu insisto nesta serenata...! Mesmo discreta, ainda solto a voz, antes que minha força diminua: Parece que virei o "homem de lata", personagem do "Mágico de Oz": - Perdi meu coração na tua rua... [04.03.2025]

MOTO-PERPÉTUO

Jurei que acabaria esse vaivém e iria te esquecer. Ponto final. É preciso subir mais um degrau, prosseguir e deixar de nhenhenhém... Enfim te esqueço... O amor não se mantém... Embarco numa nave espacial... Noutro planeta nada será mau... Igual a Ulisses, eu serei "Ninguém". E penso no perfeito estratagema: Escrevo, mas te mato no poema... O poema é o divã da minha vida... Tudo ilusão. Poeta é bicho tonto: Eu te elimino a cada poema pronto... porém tu ressuscitas em seguida... (23.02.2025 )

LUGAR-COMUM

Eu não existo. Sou alguém distante, talvez apenas sombra fugidia, um vate sonhador... um diletante que junta o caos com cacos de poesia... Um dia até sonhei que eu existia... Imaginei que um sonhador errante podia ser alguém que não podia... e então segui meu rumo de viajante... No entanto, a vida às vezes é engraçada: Eu sonhei com você de madrugada.. mais uma vez... (Não fujo do clichê...) Embora este poeta não exista, a minha pena é quase masoquista e escreve outro soneto pra você... (22.02.2025)

SONETO ERÓTICO Nº. 2

Quero dizer-te um verso “ao pé do ouvido”, no lusco-fusco de uma alcova nossa, que os dias se revestem de sentido e o teu olhar minha existência adoça...   (Hoje não dá... talvez um dia eu possa dar vazão ao meu sonho reprimido, o incêndio inapagável que me acossa e as madrugadas tem me consumido...)   Nós vamos implodir as convenções, dando vazão às nossas emoções, sem medo de fofocas ou revanches...   E nesse ritual, pleno de luz, ao se tocarem nossos corpos nus, nós dois seremos duas avalanches...! (15.02.2025)

SONETO ERÓTICO Nº. 1

De teu apartamento, encaras o infinito... Contemplas a cidade e sua agitação... Tu ficas na sacada, ainda de roupão, enquanto sopra o vento, em permanente rito...   Eu penso tanto em ti... e tanto tenho escrito... Mas hoje estou assim: não tenho inspiração... Não sei o que dizer... vivo em ebulição... Nem sei o que fará meu coração aflito...   Por hora, sem te ver, te encontro em meu delírio... Essa distância, amada...! A distância é um martírio...! A mim só resta o sonho... em plena madrugada...   erótico... febril... um sonho onde te abraço... um sonho onde te vejo e envolvo o corpo lasso... vestida de roupão... ou não usando nada... (09.02.2025)

SONETO DE PREPARAÇÃO Nº. 1

A minha hora vai chegar um dia, de modo repentino e alvissareiro... Não sei quando vai ser a travessia, mas desde já espero o gondoleiro... Serei tragado por um nevoeiro...? Serei levado numa ventania...? Ou, simplesmente, no meu travesseiro serei ninado pela Poesia...? Não sei, Senhor, se posso te pedir que seja calma a hora de partir e nada fique sem eu terminar... Não peço a Salvação (pois não mereço), talvez esquecimento é o que te peço... e que minha alma se dissolva no ar... 27.01.2025