TEMA E VARIAÇÕES

 
I
 
Escrevo estes versos... um tanto sem jeito...
Falar do que sinto virou ritual...
(Me canso demais... o meu canto imperfeito
não tem novidades... é um velho jogral...)
 
Eu penso em calar minha voz sem proveito...
Guardar minha lira (afinada... banal...)
e pôr meu fantasma pra fora do peito...
(Será que é possível parar, afinal?)
 
Convivo com rugas... sou feito de cãs...
Meu corpo cansado pressente a descida...
Somente as sinapses são boas e sãs...
 
Mas sigo...! Eu escrevo com certa insistência,
até concluir o poema da vida,
fechando-se o livro de minha existência...
 
II
 
Zumbindo insistente no meio do breu,
um verso esvoaça... me exige um poema...
A luz logo ligo e resolvo o problema...
Te escrevo de novo... meu verso ascendeu...
 
Tu és a rainha de um vate plebeu...
Cantar-te em meus versos jamais é problema...
(Repito... e repito... mas gosto do tema:
São tantos os versos que a pena escreveu...!)
 
O tempo devasta meu corpo cansado,
mas o coração permanece intocado...
E sigo sozinho tocando o flautim...
 
Amada distante, que não cai no olvido,
te escrevo estes versos de amor recolhido,
até que a memória evapore de mim...

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