O DESFIBRILADOR

Nunca imaginei,
nem em meus sonhos mais psicodélicos,

que um dia eu usaria num poema
a palavra desfibrilador.
 
Não é exotismo,
não é loucura,
não é efeito de drogas.
 
Minha alma carregou tantos fracassos,
tantas paixões malsucedidas,
tantas desilusões,
tantas tristezas,
tamanha melancolia,
que meu coração ficou sobrecarregado.
Ele precisava de refrigério.
Então, com uma navalha,
cortei o peito,
tirei meu coração de dentro
e o fiz parar na marra.
Coloquei-o de volta,
devidamente parado.
E segui a vida.
Eu precisava de paz.
Consegui.
 
É aí que entra a palavra desfibrilador.
 
Ao surgires em meu caminho,
teu encanto, minha Amada,
foi um desfibrilador
que fez meu coração pulsar novamente.
 
Reabri o corte do peito
e enquanto meu coração pulsava,
limpei-o cuidadosamente...
Removi o pó,
as picumãs,
o mofo...
Por fim, coloquei-o de volta...
 
Meu coração até parece novo...
 
É sobre isso que eu escrevo...


(01.05.2026)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A DERRADEIRA MUSA

SINFONIA INACABADA