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NO DESERTO

Um certo dia chove no deserto, de forma imprevisível... repentina... E o eremita, coração aberto, se encanta com o que vê sua retina... Surge um oásis, vida que germina... Tanta Alegria o deixa boquiaberto... A vida anoitecida se ilumina, e o que era longe agora fica perto... .................................................................... Mas um dia... sem chance de comando, o meu oásis foi se desmanchando... e se desfez o que eu julgava meu... Pergunto, ao ver que nada mais restou: Quando foi que o Amor desmoronou...? E quando foi que a Vida se perdeu...? (29.09.2025)

SONETO ERÓTICO N. 3

Eu sou um zé-ninguém vagando à toa, em busca de um destino benfazejo... O meu quotidiano não planejo... Tento levar a vida numa boa... Mas ao cruzar contigo, hoje eu gaguejo: A vida em ti me encanta e me atordoa... - Por tua causa, o pensamento voa e aterrissa no hangar do meu Desejo... Passas por mim... teu corpo me incendeia... O sangue até se agita em minha veia... (Mas fico quieto, por não ter assuntos...) Hoje vivo em altíssima voltagem... Que tal nós dois numa paixão selvagem... sem limites... pegando fogo juntos???

SONETO DE CONTEMPLAÇÃO N. 6

SONETO DE CONTEMPLAÇÃO N. 6 Eu tenho a tua foto em minha tela e contemplo teu rosto todo dia, minha dose diária de poesia, microssegundo que a ilusão anela... Aceito a Vida, sem melancolia... E em minha realidade paralela,  eu não percebo o Tempo na janela, tão apressado e cheio de energia...! A Vida e o Tempo vão "fechar a conta", mas o apagar da luz não me amedronta... Vai só a "casca" no último batel... Por tua causa, ficarei aqui: Vou me esconder nos versos que escrevi, para te olhar das margens do papel... 30.08.2025

A POESIA

A POESIA Eu peguei a “doença” da Poesia... Não é fatal, embora seja crônica... Não me deixa dormir, é quase irônica... Quanto mais combatida, mais se amplia...   Ela é “de lua”: Ou cala e fica afônica... Ou, de repente, fala todo dia... Ora me embala e oferta calmaria... Ora vem abalar, placa tectônica...   Mesmo que seja meio bipolar, ela não deixa de me consolar... E eu não a troco por dinheiro algum!   Enquanto a Vida me tritura os ossos, a Poesia colhe os meus destroços... e cola meus pedaços um por um...!

MEU PAI

MEU PAI   Eu tive um privilégio sem igual: Meu pai era uma espécie de profeta… Oráculo com alma de poeta… Meu guia e conselheiro magistral…   Nunca alterou a voz - firme e discreta - e em tudo se mostrou essencial… Ainda é para mim o meu fanal… Ainda faz a minha estrada reta…   Ao lado dele, eu sempre fui menino... Absorvendo, feliz, o seu ensino, assim eu fui me construindo gente...   No entanto um dia ele se foi no vento... ele voou no sopro de um momento... e eu fiquei velho... repentinamente… (07.03.2025)

TEMA E VARIAÇÕES

  I   Escrevo estes versos... um tanto sem jeito... Falar do que sinto virou ritual... (Me canso demais... o meu canto imperfeito não tem novidades... é um velho jogral...)   Eu penso em calar minha voz sem proveito... Guardar minha lira (afinada... banal...) e pôr meu fantasma pra fora do peito... (Será que é possível parar, afinal?)   Convivo com rugas... sou feito de cãs... Meu corpo cansado pressente a descida... Somente as sinapses são boas e sãs...   Mas sigo...! Eu escrevo com certa insistência, até concluir o poema da vida, fechando-se o livro de minha existência...   II   Zumbindo insistente no meio do breu, um verso esvoaça... me exige um poema... A luz logo ligo e resolvo o problema... Te escrevo de novo... meu verso ascendeu...   Tu és a rainha de um vate plebeu... Cantar-te em meus versos jamais é problema... (Repito... e repito... mas gosto do tema: São tantos os versos que a pena escreveu...!)   O tempo devasta meu corpo cansad...

CALMARIA

CALMARIA Na vida o melhor é fruído sem pressa... Mirar o crepúsculo à beira do mar... Ninar a criança bem antes que cresça... Ouvir calmamente um prelúdio de Bach... Nem sempre o fazemos... a vida não cessa... Nem vemos o tempo correr sem parar... Aos poucos murchamos... o inverno começa... E a velha ceifeira não tarda a chegar... Mas não tenho pressa ao pensar em você... O amor é um romance que aos poucos se lê... (Eu leio sozinho... mas como parar...?) E como se o Tempo sustasse os ponteiros, deixando de lado os impulsos ligeiros, você é mulher pra se amar devagar... 09.08.2025