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NOTURNO N. 4

Eu e o silêncio encaramos o infinito, enquanto a insônia aproveita a madrugada bebendo uma caneca de café... De repente, uns versos aparecem e pousam na beirada da janela, deixando-se afagar na cabeça...   Os versos se juntam e formam um poema, que eu solto na imensidão da noite com a tênue esperança de que voem até a tua janela... 30.04.2026

NOTURNO N. 3

Mais uma vez o poeta encara a página em branco sem ter a mínima ideia do que vai surgir das pontas dos seus dedos. Sabe apenas que é mais uma noite em que mergulha no silêncio enquanto pensa em sua Musa, o Amor impossível que agita os seus cabelos brancos...   Ele quer dormir... no entanto está em completa turbulência, como um avião que passa no meio de nuvens nervosas...   O poeta não deveria pensar na Musa, O poeta não deveria gostar da Musa, O poeta não deveria sonhar com a Musa... Ele deveria desligar o espírito tanto das coisas terrenas quanto das coisas etéreas e viver em transe permanente como se fosse um monge tibetano no alto de uma montanha distante... Porém, escreve versos... Em sua vida minimalista, ele tem o Silêncio... a Solidão... a Poesia... para lhe fazer companhia, enquanto aproveita a Noite para escrever poemas com cheiro de café...   O poeta talvez devesse tomar chá para evitar a insônia... Mas não tem escolha: A Poesia prefere café... 28.04.2026 ...

POESIA

Cada vez que você posta uma foto em seu perfil, a Poesia sorri e me incentiva a escrever... Ponho café na caneca e conforme vou bebendo, vou desenhando as palavras que falam a seu respeito...   Se você não percebeu, temos uma “parceria”... Um novo poema nasce a cada retrato seu... Nada seria possível se você não existisse...   Nem sempre o poema é bom, é preciso depurar e lapidar as palavras como se eu fosse um ourives.   Entretanto a maior joia não é o poema que escrevo...   A maior joia é você... 09.05.2026

O ENCANTO DAS PALAVRAS

Ao olhar a tua foto, o impacto é tão profundo, que não sei se fico estático e te contemplo por horas, ou, então, se fico extático, e me perco nas palavras...   Não importa se é com “s”... Não importa se é com “x”...   O deslumbramento é o mesmo... 09.05.2026

A DERRADEIRA MUSA

Faz muito tempo... Foi na Pré-História... O mundo ainda era em preto e branco e os dinossauros vagavam pela Terra... Eu encontrei a Poesia e a Poesia me encontrou... De lá para cá, tive algumas paixões, conheci algumas musas e escrevi poemas para elas... Mas hoje, tu és a "Musa", diferente de todas as outras, com "M" maiúsculo... E me despertas uma sensação inédita: Mesmo que esta distância  entre nós dois permaneça, eu gostaria que fosses a derradeira Musa de minha vida errante... Sinto-me plenamente satisfeito com a vida e duvido que eu possa escrever algo igual a tudo o que já te escrevi até aqui... Por mim, o Apocalipse poderia vir amanhã, que eu vivi o suficiente e não tenho medo: Já fui arrebatado nesta vida... 07.05.2026

OFERENDA

Quando volto pra casa, encontro duas deusas felinas  que estão me esperando e requerem minha devoção. Mas falta você, a terceira deusa, e infelizmente eu não tenho  o privilégio da sua presença física... Tenho de me conformar  com o seu retrato, a imagem da deusa misteriosa  com quem eu gostaria  de tomar uma caneca de café, conversar sobre livros e assistir a filmes franceses até chegar o sono... Mas o que eu realmente queria era escrever um poema todos os dias antes de dormir... Meu dia só vale a pena  quando escrevo pelo menos um poema: minha oferenda para você... 07.05.2026

SONETO DE RESIGNAÇÃO N. 2

Quando surgiste em meu caminho triste, não consegui ficar indiferente... E me entreguei a uma ilusão que insiste em afagar o sonho entorpecente... És minha Musa... e este delírio insiste  em escrever uma canção dolente, enquanto a Vida, com o dedo em riste, me diz que o sonho é trapaceiro e mente.. Desperto... o Amor está num outro nível...  Eu alcançá-lo não será possível... Preciso te esquecer, Amada... e, assim, somente resta aposentar a lira, me mudando pra Terra da Mentira, onde tu não existes para mim... 05.05.2026