NOTURNO N. 3

Mais uma vez o poeta
encara a página em branco
sem ter a mínima ideia
do que vai surgir
das pontas dos seus dedos.
Sabe apenas que é mais uma noite
em que mergulha no silêncio
enquanto pensa em sua Musa,
o Amor impossível que agita
os seus cabelos brancos...
 
Ele quer dormir... no entanto
está em completa turbulência,
como um avião que passa
no meio de nuvens nervosas...
 
O poeta não deveria pensar na Musa,
O poeta não deveria gostar da Musa,
O poeta não deveria sonhar com a Musa...
Ele deveria desligar o espírito
tanto das coisas terrenas
quanto das coisas etéreas
e viver em transe permanente
como se fosse um monge tibetano
no alto de uma montanha distante...
Porém, escreve versos...

Em sua vida minimalista,
ele tem o Silêncio...
a Solidão...
a Poesia...
para lhe fazer companhia,
enquanto aproveita a Noite
para escrever poemas
com cheiro de café...
 
O poeta talvez devesse tomar chá
para evitar a insônia...
Mas não tem escolha:
A Poesia prefere café...


28.04.2026

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