MOTO PERPÉTUO
Eu já te escrevi centenas de versos
quase sempre
falando a mesma coisa...
São anos a fio,
abrindo minhas entranhas,
expondo as nervuras de minha alma
num interminável ritual
que se retroalimenta.
Sequer esboço cansaço...
Por quê...?
Por que apenas troco o guarda-roupa
e um figurino tão diverso
veste as mesmas ideias de sempre,
sem nunca mudar a essência?
A repetição não esgota?
Quem se cansa do pai-nosso?
Quem se cansa da ave-maria?
Quem se cansa da água
que se bebe todo dia?
Meus poemas são variações
sobre o mesmo tema
porque esse tema é meu oxigênio...
e quem se cansa de respirar?
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