O GATO


O poema é um gato esquivo
Estirado em minha cama...
Dorme o tempo quase todo
E finge que eu não existo...

O meu tempo não importa.
Se eu chegar perto, ele foge.
Ou então me arranha e morde.
É o poema quem procura.

Mas quando eu menos espero,
Me acorda de madrugada,
Acintoso e impertinente
Para que eu lhe dê comida...

E sem ter alternativa,
Acendo a luz das ideias,
Anoto os versos que surgem
E ambos voltam a dormir...

E fica no ar a pergunta
Que eu faço para o poema,
Sem esperar a resposta:
Quem é que alimenta quem?






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