DANÇA ANTICHUVA N. 1
Através da janela,
encaro o infinito azul
e seus flocos brancos de açúcar
que eu tenho vontade de pegar
para adoçar meu café...
Enquanto olho,
palavras emergem
do vapor da minha xícara
e dão-se as mãos...
Nesse ritual,
fazem uma dança antichuva
e cantam uma canção
para ninar as águas...
Há tantos dias para chover!
Mas hoje é preciso esse ritual
para afastar a chuva...
As palavras sabem
que por tua causa preciso
meio ansiosamente
que as águas permaneçam dormindo...
Quando chove,
a Poesia não sai de casa:
ela não usa guarda-chuva.
25.04.2026
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