DANÇA ANTICHUVA N. 2

Certo dia de um azul escandaloso,
o poeta fez um ritual
e invocou as palavras.
Elas emergiram
do vapor de sua xícara mágica...

Atendendo aos anseios do poeta,
as palavras deram-se as mãos,
fizeram uma dança antichuva
e cantaram uma canção de ninar
para que as águas 
permanecessem de olhos fechados...

Livre, plena e sorridente,
a Poesia saiu de casa,
tomou café,
exibiu seu sorriso perfeito e sedutor,
conversou com o poeta
e terminou o dia indo correr,
sem medo de chuva...

E as águas permaneceram dormindo,
para que a Poesia
tivesse um dia de folga
e pudesse aproveitar a vida...

25.04.2022

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