DESILUSÃO

(Soneto aos 49 anos)
 
Não vou dizer que já perdi a garra...
Entre a satisfação e as privações,
eu fui perdendo minhas ilusões
e aprendendo a viver meio na marra...
 
Sou formiga, contendo as emoções,
tentando controlar uma cigarra
cuja vontade é dada à festa e à farra...
(Tenho a alma repleta de arranhões...)
 
Agora estou pensando em minha vida,
nessa aventura um tanto esbaforida,
que aconteceu meio ao sabor dos ventos...
 
Eu já passei do meio da ladeira...
E o Tempo, em sua fúria carniceira,
não respeitou sequer meus sentimentos...

12.04.2026

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