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FATALISMO

  No saguão do aeroporto, espero ser chamado  para a minha metamorfose: Vou me transformar numa pulga efêmera e me acomodar por baixo  das penas metálicas  de um pássaro gigantesco.   Toda vez em que entro num avião,  meu lado fatalista imagina que pode ser  o último voo de minha vida. Pode ter chegado a minha hora... Mesmo que não tenha... E se for a hora do piloto ou do motor? Se um dos dois tiver um ataque cardíaco  e o pássaro metálico  despencar céu abaixo, não tem jeito: todo mundo vai de carona para o Hades... Inclusive eu...   Mas não importa, minha Amada,  não importa... Se esse avião cair, ou o próximo ou qualquer outro futuro,  nos instantes finais, quando passar um filme da minha vida, você será a protagonista do último capítulo... E seu nome certamente  Estará no lugar da palavra "FIM".

CANÇÃO DO GIRASSOL

   Quem sou eu, tão perdido pelo mundo? Acho que sou um girassol-poeta, que te olha tanto, em busca da Existência... Não tenho vida fora da Poesia  e tu és para mim a própria Poesia!   Quando a noite desponta, eu, girassol, Deixo cair sementes pelo chão... Eu penso em Ti, meu Sol Inspirador... Talvez eu deva descansar um pouco, visto que a Noite oculta a tua face... Talvez agora eu deva me virar na direção da sombra e perscrutar se há rastros de poesia noutras coisas... Talvez eu busque inspiração nas sombras, ache poesia em meio ao musgo e ao líquen...   Mesmo que eu vire, Amada, à contraluz, busque Poesia noutras direções,  uma coisa é imutável nesta vida: Sempre virei ao ponto de partida... Não existe outro Sol, além de ti...!

CONFISSÃO

   Um dia eu me perguntei qual é a palavra mais bela e mais poética da língua portuguesa... Pensei em perguntar ao Google ou a outra Inteligência Artificial...   Mas antes que eu fizesse o comando, meu coração disparou e senti teu nome adoçando meus lábios...   Este é o primeiro poema em que quase digo o teu nome...   Sim, ainda falta coragem e mesmo com o coração disparando, pulsando mais forte, digo e repito teu nome, escandindo a pureza de cada sílaba, mas sem transcrever aqui...   Teu nome é a palavra mais bela e mais doce  e mais poética da língua portuguesa...   Amo dizê-lo em voz alta... Amo sussurrá-lo no pensamento...   Amo a beleza e a doçura do teu nome, assim como eu amo a dona do nome...   Teu nome é a minha oração  E já fiquei viciado em recitá-lo todos os dias da minha vida...   Assim é fácil escrever meus versos... Pois tu desprendes tanta Poesia, que eu pego, Amada, um pouco para mim... ...

A VIAGEM

  Não tenho medo de voar... É a Vida Que impele o meu destino viajante... Neste momento em que eu escrevo, Amada, Estou na estrada, rumo ao infinito... Um avião me espera no aeroporto E o céu não é tão grande para um sonho... Carrego o mundo dentro da mochila... Mas a Poesia nunca tira férias E viaja ao meu lado pelo mundo...

ANATOMIA DO OLHAR

  Encaro o espelho e noto meu olhar vazio... Vazio de quê? Não sei... - Vazio de mim? - Vazio de Vida?   Sei apenas que esse vazio  é indefinível, indescritível, imensurável, refletindo a falta de algo interior... e eu, por mais que perscrute, continuo sem saber o que é...   No entanto, minha Amada, nos breves mas intensos momentos  em que o meu olhar encontra o teu, ele deixa de ser vazio e fica pleno... pleno de tua Luz... pleno de ti... e, de repente, eu me torno um Lázaro voltando à Vida...

MÃOS DE CANETA

  Eu nasci diferente, uma espécie de Edward Mãos de Tesoura trazendo uma caneta  no lugar da mão direita...   Eu e o Edward somos meio parecidos, pois eu também  não posso tocar teu rosto...   Mas tu e a Poesia fazem  minha vida valer a pena:   Embora eu também seja um Triste, tenho um instante de Felicidade quando te vejo e posso contemplar  teu rosto feito de estrelas...   E aqui, no silêncio do claustro, com minha mão de caneta  eu posso tocar o seu rosto com os poemas que te escrevo...

POEMA DO BOBO

  Muitas vezes eu me iludo, pensando que sou esperto... Mas a verdade se mostra... e me dou conta de que não passo de um grande bobo... Ainda por cima me deixas mais bobo do que já sou: Quando te vejo sorrindo, tão perfeita em teus encantos, minha vontade é ficar parado na tua frente olhando para teu rosto feito um bobo embevecido... Quando tu não estás perto, impedindo-me de olhar, eu não deixo de ser bobo... e bobo fico escrevendo para a Musa derradeira... Só vou deixar de ser bobo e deixar de te escrever, quando a lua despencar do teto da Via Láctea...

NOTURNO N. 4

Eu e o silêncio encaramos o infinito, enquanto a insônia aproveita a madrugada bebendo uma caneca de café... De repente, uns versos aparecem e pousam na beirada da janela, deixando-se afagar na cabeça...   Os versos se juntam e formam um poema, que eu solto na imensidão da noite com a tênue esperança de que voem até a tua janela... 30.04.2026

NOTURNO N. 3

Mais uma vez o poeta encara a página em branco sem ter a mínima ideia do que vai surgir das pontas dos seus dedos. Sabe apenas que é mais uma noite em que mergulha no silêncio enquanto pensa em sua Musa, o Amor impossível que agita os seus cabelos brancos...   Ele quer dormir... no entanto está em completa turbulência, como um avião que passa no meio de nuvens nervosas...   O poeta não deveria pensar na Musa, O poeta não deveria gostar da Musa, O poeta não deveria sonhar com a Musa... Ele deveria desligar o espírito tanto das coisas terrenas quanto das coisas etéreas e viver em transe permanente como se fosse um monge tibetano no alto de uma montanha distante... Porém, escreve versos... Em sua vida minimalista, ele tem o Silêncio... a Solidão... a Poesia... para lhe fazer companhia, enquanto aproveita a Noite para escrever poemas com cheiro de café...   O poeta talvez devesse tomar chá para evitar a insônia... Mas não tem escolha: A Poesia prefere café... 28.04.2026 ...

POESIA

Cada vez que você posta uma foto em seu perfil, a Poesia sorri e me incentiva a escrever... Ponho café na caneca e conforme vou bebendo, vou desenhando as palavras que falam a seu respeito...   Se você não percebeu, temos uma “parceria”... Um novo poema nasce a cada retrato seu... Nada seria possível se você não existisse...   Nem sempre o poema é bom, é preciso depurar e lapidar as palavras como se eu fosse um ourives.   Entretanto a maior joia não é o poema que escrevo...   A maior joia é você... 09.05.2026

O ENCANTO DAS PALAVRAS

Ao olhar a tua foto, o impacto é tão profundo, que não sei se fico estático e te contemplo por horas, ou, então, se fico extático, e me perco nas palavras...   Não importa se é com “s”... Não importa se é com “x”...   O deslumbramento é o mesmo... 09.05.2026

A DERRADEIRA MUSA

Faz muito tempo... Foi na Pré-História... O mundo ainda era em preto e branco e os dinossauros vagavam pela Terra... Eu encontrei a Poesia e a Poesia me encontrou... De lá para cá, tive algumas paixões, conheci algumas musas e escrevi poemas para elas... Mas hoje, tu és a "Musa", diferente de todas as outras, com "M" maiúsculo... E me despertas uma sensação inédita: Mesmo que esta distância  entre nós dois permaneça, eu gostaria que fosses a derradeira Musa de minha vida errante... Sinto-me plenamente satisfeito com a vida e duvido que eu possa escrever algo igual a tudo o que já te escrevi até aqui... Por mim, o Apocalipse poderia vir amanhã, que eu vivi o suficiente e não tenho medo: Já fui arrebatado nesta vida... 07.05.2026

OFERENDA

Quando volto pra casa, encontro duas deusas felinas  que estão me esperando e requerem minha devoção. Mas falta você, a terceira deusa, e infelizmente eu não tenho  o privilégio da sua presença física... Tenho de me conformar  com o seu retrato, a imagem da deusa misteriosa  com quem eu gostaria  de tomar uma caneca de café, conversar sobre livros e assistir a filmes franceses até chegar o sono... Mas o que eu realmente queria era escrever um poema todos os dias antes de dormir... Meu dia só vale a pena  quando escrevo pelo menos um poema: minha oferenda para você... 07.05.2026

SONETO DE RESIGNAÇÃO N. 2

Quando surgiste em meu caminho triste, não consegui ficar indiferente... E me entreguei a uma ilusão que insiste em afagar o sonho entorpecente... És minha Musa... e este delírio insiste  em escrever uma canção dolente, enquanto a Vida, com o dedo em riste, me diz que o sonho é trapaceiro e mente.. Desperto... o Amor está num outro nível...  Eu alcançá-lo não será possível... Preciso te esquecer, Amada... e, assim, somente resta aposentar a lira, me mudando pra Terra da Mentira, onde tu não existes para mim... 05.05.2026

SONETO DE RESIGNAÇÃO N. 1

Meu coração é um saci travesso, e amar você, a grande travessura que virou minha vida pelo avesso, me deixando num transe que perdura... Mas olho o espelho... e vejo que é loucura sonhar com outro amor... com o recomeço... "Ela está longe..." - o coração murmura - Então escrevo... e quase desvaneço... Tenho um forte motivo pra ser triste: O grande abismo que entre nós existe, o Tempo... meu algoz, meu inimigo... E eu vou chorar por causa de você... Nesse meu pranto amargo, tão clichê, a Poesia há de chorar comigo... 04.05.2026

OS ÓCULOS

Aqui, no mundo real, embora eu te enxergue bem, com todos os adjetivos possíveis, penso que não é suficiente. Decidi dormir de óculos, Para não perder nenhum detalhe: Como sou míope, Se eu dormir de óculos,  vou te ver melhor durante os meus sonhos... 05.05.2026

TRILHAS

O dicionário é a Vida: Fascinante... Desafiador... (In)finito... Percorrê-lo é aventurar-se em trilhas imprevisíveis e incríveis descobertas... O dicionário não sabe, mas ele é um grande esquema de pirâmide: Ao procurar uma palavra, ela me leva a outra, que me leva a outra, que me leva a outra... Ao lado de cada uma há sempre uma vizinha e a vizinha da vizinha e a vizinha da vizinha da vizinha... No entanto, minha busca nas trilhas do dicionário  é fadada à incompletude: Se eu entrar no dicionário  em busca de uma palavra  pra colocar num poema, vou ficar preso num labirinto  e jamais vou encontrar a palavra exata e suficiente  para falar de você... 04.05.2026

O DESFIBRILADOR

Nunca imaginei, nem em meus sonhos mais psicodélicos, que um dia eu usaria num poema a palavra desfibrilador.   Não é exotismo, não é loucura, não é efeito de drogas.   Minha alma carregou tantos fracassos, tantas paixões malsucedidas, tantas desilusões, tantas tristezas, tamanha melancolia, que meu coração ficou sobrecarregado. Ele precisava de refrigério. Então, com uma navalha, cortei o peito, tirei meu coração de dentro e o fiz parar na marra. Coloquei-o de volta, devidamente parado. E segui a vida. Eu precisava de paz. Consegui.   É aí que entra a palavra desfibrilador.   Ao surgires em meu caminho, teu encanto, minha Amada, foi um desfibrilador que fez meu coração pulsar novamente.   Reabri o corte do peito e enquanto meu coração pulsava, limpei-o cuidadosamente... Removi o pó, as picumãs, o mofo... Por fim, coloquei-o de volta...   Meu coração até parece novo...   É sobre isso que eu escrevo... (01.05.2026) ...

A PASSAGEM SECRETA

Eu queria ser arquiteto. Mas não desses do mundo real, que fazem casas, templos e prédios. Eu queria, no País dos Sonhos, montar um escritório com a Poesia.   Nosso primeiro projeto seria uma passagem secreta, um subterrâneo discreto iluminado por archotes como se fosse corredor de um castelo medieval.   (Para meu desencanto, eu e tu moramos em dimensões paralelas, à distância de um ou dois sonhos dependendo do trajeto...)   Então a minha passagem secreta iria do meu sonho ao teu. Durante a minha breve permanência com visto de turista no País do Sonhos, eu entraria nessa passagem secreta e alcançaria o fundo do teu espelho.   Mesmo que tu não notasses minha presença invisível, eu estaria em teus sonhos durante breves segundos, o meu instante de Felicidade...   Eu seria o arquiteto de uma única obra. Depois dessa passagem secreta, eu não precisaria de mais nada e aposentaria minhas ambições.   E eu, de braços dados com a minha sócia Poesia, seria infinitamen...

ANTIPOEMA

Cada dia sem você É um dia perdido e estranho É uma frase oca É uma palavra sem significado É um livro com páginas em branco É um piano sem teclas É um violino sem cordas É um carro sem motor É um freio que acelera É um acelerador que trava É bicicleta sem pedais É uma religião sem Deus É um buraco negro Tragando a minha galáxia Cada dia sem você É um dia impossível É domingo que não termina às vésperas de outro domingo É um sol que congela É um ar que sufoca É lâmina que não corta É fogo que deixa a carne crua É rio que não leva a lugar nenhum Cada dia sem você É um vazio no calendário É uma janela emperrada É céu escuro e chuvoso É uma árvore tombada Sob o telhado dos sonhos.   Cada dia sem você É água que causa sede É comida que provoca fome É ouvido que não escuta É boca que não fala É um não gostar da Vida É um não gostar da Morte   Cada dia sem você Não vale a pena ser dia É silêncio absoluto É a Poesia calada É este poeta surdo   Cada dia sem você É inf...